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 24/08/2013

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Extratos vegetais


Todas as plantas e animais, fabricam uma série de substâncias de que necessitam para diferentes finalidades específicas para cada uma.
Muitas substâncias fabricadas por plantas, tem sido utilizadas como alimento, remédio ou para embelezamento do corpo.

A evolução do processo cultural humano levou ao desenvolvimento de técnicas que possibilitassem uma melhor utilização destes grupos de substâncias, extraindo-as para posterior utilização das mesmas. O grupo de substâncias, retirado de uma determinada porção vegetal é chamado de extrato.
Com o tempo, foram se desenvolvendo diferentes técnicas de extração, cada uma visando a obtenção de um conjunto de substâncias específicas e para um objetivo diferente.

Algumas técnicas para extração de óleos já foram discutidas nas matérias anteriores. Vamos falar agora, rapidamente sobre os outros tipos mais conhecidos de extrações e suas funções.
Para alcançar sua ação medicinal e ou cosmética, uma planta deve ser tratada de tal forma que se obtenham produtos derivados com ação específica.

Com uma mesma planta, ou com a mesma parte da planta, pode-se preparar diversos derivados levando-se em consideração:
• o modo de preparação
• as propriedades físicas
• o aspecto
• a concentração dos princípios ativos
• as propriedades farmacológicas
• sua finalidade

Pós vegetais
Os vegetais na forma de pó possuem uma grande aplicação no arsenal terapêutico e ou cosmético, podendo ser incorporados facilmente às formas galênicas secas como cápsulas e comprimidos ou em cremes e loções com finalidades específicas.
As ervas, depois de secas, são trituradas em moinhos de diversos modelos e peneiradas dando origem ao pó.

Óleos essenciais
Os óleos essenciais são compostos aromáticos, geralmente voláteis, retirados dos vegetais, onde são encontrados pré-formados ou na forma combinada. São extraídos por destilação, por expressão ou por extração por solventes.

Os medicamentos magistrais à base de óleos essenciais variam com as propriedades químicas e físicas, em particular a solubilidade. Com um excipiente alcoólico ou oleoso, se trabalha por simples dissolução.
Uma técnica nova de micro-encapsulação do óleos vegetais permite a utilização dos óleos essenciais sob a forma de pó acondicionado em cápsulas. Com excipientes não graxos pode-se utilizar externamente, na forma de géis ou emulsionados com emulsionantes não iônicos, que fornecem emulsões estáveis.
Os óleos essenciais, nas suas diferentes apresentações, são muito utilizados na perfumaria e também na aromaterapia.

Hidrolatos
Freqüentemente, produtos secundários à preparação dos óleos essenciais, as águas destiladas, também conhecidas por hidrolatos, possuem grande quantidade de princípios voláteis como ácidos, aldeídos e aminas.

São preparadas por simples destilação com vapor de água, e plantas frescas ou secas.
As plantas rasuradas são maceradas por horas com uma quantidade relativamente grande de água e depois destiladas. A destilação é suspensa quando se obtém uma quantidade razoável de destilado. O excesso de essência é separado por decantação ou filtração.

A conservação dos hidrolatos é delicada, pois contaminam-se com facilidade.
Os hidrolatos são utilizados, por suas propriedades aromáticas, para a preparação de xaropes; e em cosmetologia, por suas propriedades adstringentes, calmantes e antipruriginosas, sob a forma de loções e cremes.

Alcoolatos
Os alcoolatos são preparados pela maceração com álcool das plantas frescas seguida ou não por uma destilação.

Atualmente a denominação alcoolato foi substituída por soluções alcoólicas ou tinturas.

Alcoóleos
Os alcoóleos são preparações líquidas resultantes da ação dissolvente do álcool, empregado em quantidade determinada a um título definido sobre as matérias vegetais.

O título do álcool utilizado estará na função dos princípios ativos a dissolver do material a tratar.
Em fito-aromaterapia utilizam-se as tinturas, as tinturas mãe, e as alcoolaturas.

Tinturas vegetais
As tinturas vegetais são preparadas à temperatura ambiente pela ação do álcool sobre uma erva seca (tintura simples) ou sobre uma mistura de ervas (tintura composta). São preparadas por solução simples, maceração ou percolação.

Hidróleos
Os hidróleos são derivados obtidos pela dissolução em água de uma substância medicamentosa. Os hidróleos são conhecidos pela população pelo nome de tisanas e, e são obtidos por infusão, decocção ou maceração:

Infusão
A infusão é preparada jogando-se água fervente sobre as partes ativas do vegetal. É o modo tradicional de preparar o chá. Deve-se deixar as plantas dentro da água quente por 5 a 10 minutos, e depois filtrar.

Decocção
Na decocção, geralmente coloca-se a erva em água fria, que, em seguida, se aquece até a ebulição num recipiente fechado, deixando ferver por alguns minutos. Geralmente se aplica a drogas que apresentam princípios ativos de difícil extração por estarem contidos em partes lenhosas das plantas.

Maceração
É uma preparação líquida que requer longa imersão. Põe-se a planta em água fria, cobre-se o recipiente e deixa-se repousar em lugar fresco durante uma noite.

Digestão
O contato droga-solvente é mantido a uma temperatura de 40 a 60 graus Celsius.

Percolação
Sem dúvida nenhuma é o processo que, pela dinâmica e artifícios possíveis, permite uma extração mais eficiente. A passagem do líquido extrator através da droga moída, em aparelhos conhecidos por percoladores, com o controle do fluxo e variação da mistura dos solventes extratores, otimiza o processo;

Destilação
processo em que a planta, em contato com água ou álcool, é submetida à destilação.

Secagem
Quando o extrato líquido tem o seu solvente removido, pode ser feito por simples aquecimento e evaporação ou submetido a processos de spray dryer, drum dryer, evaporação e concentração sob vácuo, concentração em membranas e outros.

Extratos glicólicos
Os extratos glicólicos são obtidos por processo de maceração ou percolação de uma erva em um solvente hidro-glicólico, podendo ser este o propilenoglicol ou a glicerina. Estes extratos normalmente são utilizados nos fitocosméticos.

Extratos fluidos
Os extratos fluidos são preparações obtidas de drogas vegetais manipuladas. Por não terem sofrido ação do calor, seus princípios ativos são exatamente os mesmos encontrados nos fármacos respectivos.

Outros processos mais sofisticados permitem obter extratos qualitativamente superiores. Entre eles pode-se mencionar :

ESAM – Extração por Solvente Assistida por Microondas;

extração com C02 Supercrítico;

VMHD (Vacuum Microwave HydroDistillation);

E a extração biotecnológica (fermentação e bioconversão).

Os princípios ativos das plantas medicinais são substâncias que a planta sintetiza e armazena durante o seu crescimento. Nem todos os produtos metabólicos sintetizados possuem valor medicinal. Em todas as espécies existem princípios ativos e substâncias inertes.

Antes de darmos uma breve informação sobre as classes mais gerais de princípios ativos utilizados pelo homem, surge uma pergunta que não quer calar……..

Porque precisamos de tantas modalidades de extrações diferentes ? Você Já se perguntou sobre isso?
Porque em determinados momentos o melhor a se usar é um óleo ou extrato oleoso e em outros é um extrato glicólico ou um chá ou outro tipo de extrato…….

Se a planta é a mesma, porque temos diferentes formas de extrair substâncias dela……
Algum palpite? Pare e pense um pouquinho, antes de continuar a leitura…..

O óleo se dissolve na água? A princípio não….. isso todos nós sabemos não é? Então o que temos em um óleo que não temos num chá? Você já parou pra se perguntar isso?

Então lá vai: No extrato oleoso ou no óleo extraído de uma planta, estarão as substâncias lipossolúveis que ela produziu. Estas mesmas substâncias não estarão no chá, porque nãos são hidrossolúveis, ou seja, não se dissolvem em água.

Então podemos deduzir agora, que cada tipo de extração, retira um grupo diferente de substâncias de uma mesma determinada planta. E é isto mesmo que acontece. Cada tipo de extrato é diferente do outro e, conseqüentemente, terá funções e ações diferentes sobre o local a ser aplicado.

Um extrato glicólico de argan, por exemplo, não terá os componentes lipídicos (gorduras) que dão brilho e viço aos cabelos, em compensação, o mesmo extrato glicólico poderá ter alguma substância importante para a renovação celular da pele, por exemplo, que não será encontrado no óleo. Embora este exemplo seja apenas ilustrativo, espero que tenha servido para esclarecer as diferenças.

A escolha de um determinado tipo de planta em uma determinada forma de extração, é definida pelas substâncias obtidas e o objetivo biológico desejado. A planta certa no formato de extrato errado, simplesmente impede que a ação desejada seja alcançada.

Bem, vamos agora a uma breve discriminação dos ativos mais populares:

Geralmente, numa mesma planta, encontram-se vários componentes ativos, dos quais um ou um grupo deles determinam a ação principal do seu extrato. O princípio ativo isolado, apresenta ação diferente daquela apresentada pelo vegetal inteiro.

Os princípios ativos geralmente apresentam-se concentrados em determinadas partes do vegetal, preferencialmente nas flores, folhas e raízes, e, às vezes nas sementes, nos frutos e na casca.

Outra característica dos vegetais é que não apresentarem uma concentração constante de substâncias, variando com o habitat,a época do ano, o clima, a colheita e a preparação, entre outros fatores.

Alcalóides
Os alcalóides formam um grupo heterogêneo, de substâncias orgânicas, definido pela função amina, raramente amida, que dá a seus constituintes propriedades químicas próprias, com uma atividade farmacológica notável, mas que muitas vezes se aliam uma toxicidade elevada.
Como exemplo de alcalóides podem ser citadas a atropina (Atropa belladona), a morfina (Papaver somniferum), a cafeína (Coffea arabica) e a quinina (Chinchona sp).

Princípios amargos
Existe um número grande de plantas cujos componentes possuem um sabor amargo. Em fitoterapia as plantas que possuem estes componentes são conhecidas por Amara.
Os princípios amargos estimulam intensamente a secreção dos sucos gástricos e desenvolvem uma ação tônica geral.

Óleos essenciais
Os óleos essenciais são componentes vegetais que são extremamente voláteis, dificilmente solúveis em água, e possuem odor intenso, sendo, algumas vezes, desagradável
Os óleos essenciais são formados por diversas substâncias podendo chegar até 50 componentes.

Taninos
Os taninos são componentes vegetais que possuem a propriedade de precipitar as proteínas da pele e das mucosas, transformando-as em substâncias insolúveis. Os taninos possuem ação adstringente, antiséptica e antidiarréica.

Heterosídeos
São substâncias amplamente distribuidas no reino vegetal. Apresentam ações e efeitos tão diversos que é difícil agrupá-las sob um conceito químico. Os primeiros heterosídeos isolados eram produtos condensados da glicose, motivo pelo qual foram chamados de glicosídeos. Como exemplo, podemos citar as substâncias cardioativas da digitalis.

Saponinas
As saponinas ou saponosídeos formam um grupo particular de heterosídeos. O seu nome provém da propriedade de formar espuma abundante, quando agitadas com água, à semelhança do sabão. As saponinas favorecem a ação dos demais princípios ativos da planta.

Flavonóides
Os flavonóides formam um grupo muito extenso, pelo número dos seus constituintes naturais e ampla distribuição no reino vegetal.
As propriedades físicas e químicas são muito variáveis, no entanto, podem ser relacionadas algumas propriedades farmacológicas do grupo como:

- ação sobre os capilares

- ação em determinados distúrbios cardíacos e circulatórios

- ação antiespasmódica

Mucilagens
Constitui-se um dos componentes das fibras naturais que atuam em importantes funções mecânicas e metabólicas.

As plantas com mucilagens estão amplamente distribuídas no reino vegetal, mas somente algumas espécies possuem aplicação terapêutica como a malva e o linho.
As mucilagens agem principalmente protegendo as mucosas contra os irritantes locais, atenuando as inflamações.

Ácidos orgânicos
Diversos vegetais apresentam ácidos orgânicos, que lhes conferem sabor ácido e propriedades farmacêuticas características, como ação refrescante e laxativa. Dentre os ácidos presentes pode-se destacar o tartárico, málico, cítrico e o silícico.

As plantas das famílias das borragináceas, das equisetáceas e das gramíneas absorvem grande quantidade de sais orgânicos do solo, principalmente o silícico, armazenando-o nas membranas das células ou no seu protoplasma. Este ácido é um elemento fundamental para o tecido conjuntivo, pele, cabelos e unhas. As plantas ricas em ácidos orgânicos são muito utilizadas na fitocosmética.
 

 

 

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3 Comentários »

  1. Maravilhoso!! Parabéns.

    Comentário by Daniela — 25/08/2013 @ 19:47

  2. Olá querida

    Obrigada pelo elogio e que bom que você gostou.

    Comentário by Maria Jose — 26/08/2013 @ 18:38

  3. Aqui é uma fonte de estudos valiosíssima! Sempre tem conteúdos fantásticos.
    Adoro visitar o blog.

    bjs

    Comentário by Daniela — 27/08/2013 @ 16:07

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