Cosméticos e Conservantes

 

Os conservantes são usados em cosméticos para aumentar a vida útil dos produtos, impedindo o desenvolvimento de bactérias, fungos, leveduras e mofos que podem causar doenças ou, simplesmente, prejudicar o bom aspecto do produto final. Um produto livre de microrganismos que possam causar danos à saúde humana, constitui uma exigência crescente, principalmente por parte dos consumidores e também dos órgãos responsáveis pela vigilância sanitária do País. As consequências de um creme ou shampoo contaminado recaem sobre o consumidor, que pode sofrer um dano à saúde devido à população de microrganismos, em sua pele ou cabelos ficar acima do normal, podendo se tornar patogênico; contudo o crescimento de microrganismos pode ainda provocar mudanças de cor, odor e consistência, resultando no abandono do produto pelo consumidor, reclamações de produto junto à empresa e nas consequentes perdas financeiras e de imagem da marca ou da empresa como um todo. Embora ajam controvérsias quanto ao seu uso, vários conservantes são aprovados e aplicados em uma infinidade de produtos cosméticos.
Conservantes podem ter atividade bacteriostática e/ou fungistática. Bacteriostática é a inibição do crescimento de bactérias, não mata as existentes, mas impede a sua reprodução ou aumento.
Fungistática é a inibição do crescimento de fungos, não mata as existentes, mas impede a sua reprodução ou aumento.
Mesmo que o fabricante possa oferecer um produto isento de contaminações, o próprio consumidor inadvertidamente pode adicionar uma certa carga microbiana durante o seu uso, tornando-se necessário
prover o produto de algum sistema eficiente de conservação.
O conservante ideal não existe e é por isso que se usam combinações ou blends de conservantes. Um bom conservante deve apresentar atividade de amplo espectro, ou seja, deve eliminar todos os tipos de microorganismos, que incluem fungos, bactérias Gram positivas e Gram negativas. Em geral, substâncias químicas ativas contra bactérias não são ativas contra fungos e os ativos contra fungos não são efetivos contra bactérias. Outra propriedade é que o conservante deve ser efetivo a baixas concentrações. Baixos níveis de concentração reduzem as chances de irritação e outras preocupações de toxicidade.

Falando um pouco sobre conservantes
Parabenos
São os ésteres do ácido parahidro¬xibenzoico. As regulamentações da União Européia e do Brasil permitem o uso de no máximo 0,4% de cada parabeno e um máximo de 0,8% de parabeno total, no produto cosmético.
Os parabenos são na maioria ativos contra fungos. Apresentam atividade contra bactérias Gram positivas, mas são considerados fracos contra bactérias Gram negativas.
A limitação no uso de parabenos está na quantidade que pode ser dissolvida na água. Os parabenos só
funcionam em fase aquosa. Os parabenos podem ser absorvidos por recipientes de polietileno.
Formol
O formaldeído é um dos produtos químicos mais comuns de uso atual. O formaldeído em concentrações acima do limite é classificado como carcinogênico humano e têm sido relacionado com câncer dos pulmões e nasal e com possível câncer no cérebro e leucemia.
No Brasil, o formaldeído é permitido em até 0,1% em produtos orais, até 0,2% em todos os outros usos e até 5% em produtos para endurecer unhas, sendo proibido em aerossóis.
O formaldeído é bastante ativo principalmente contra bactérias e mostra também boa atividade contra fungos. É inativado por proteínas e gelatina. É estável em pH de 3 a 9.
É altamente volátil, podendo evaporar dos produtos acabados pela simples ação de abrir e fechar o recipiente. É uma substância química muito reativa e apresenta forte odor. Pode reagir com componentes de fragrância, amônio e ferro. Tem ação sensibilizante e irritante na pele.
O formaldeído é um produto natural, presente em todas as células do corpo humano. Também é encontrado em frutas, como maçãs, uvas e pêras.
DMDM Hidantoina
O DMDM Hidantoina é muito ativo contra bactérias e fraco contra fungos. É estável em pH de 3 a 9 e em temperaturas até 80°C, onde libera formaldeído.
O Brasil e a Comunidade Econômica Européia permitem até 0,6% do ingrediente ativo em qualquer produto.
A DMDM Hidantoina é solúvel em água e propileno glicol. Na forma líquida é facilmente adicionado aos produtos; em pó, precisa ser pré-dissolvido em água.
Imidazolidinil uréia
É comercializada na forma de pó branco, puro. O produto é muito solúvel em água (200 gramas/ 100 gramas), insolúvel em óleo e tem solubilidade limitada em propilenoglicol.
Apresenta grande atividade contra bactérias Gram positivas e Gram negativas, mas nenhuma atividade contra fungos. Demonstra sinergismo com parabenos
No Brasil é permitido o seu uso em nível máximo de 0,6%. Não deve ser usado por crianças ou por pessoas hipersensíveis a formaldeído.
Quatérnio-15
Apresenta amplo espectro de atividade, sendo mais ativo contra bactérias Gram negativas e mais fraco contra fungos. É muito solúvel em água e insolúvel em óleo, tendo sua solubilidade limitada em propilenoglicol. É sensível ao calor e nunca deve ser usado acima de 50°C, bem como em pH abaixo de 4 ou acima de 10.
Diazolidinil uréa
A diazolidinyl uréa é comercializada em pó, bem como em soluções de propilenoglicol em combinação com parabenos e outros agentes antifungos.
É solúvel em água e em propilenoglicol e insolúvel em óleo. Apresenta grande atividade contra todas as bactérias (duas vezes mais ativo que o imidazolidinil uréa) com alguma atividade contra mofos. É estável a pH de 2 a 9 e não deve ser exposto a temperaturas acima de 75°C por mais de uma hora. Seu pó é extremamente higroscópico.
A União Européia e o Brasil permitem seu uso em nível máximo de 0,5%.
Metilisotiazolinona
É ativa contra bactérias, mas fraca contra fungos, ou seja, deve ser usado junto com um conservante antifungico.
Ácido salicílico
Tem propriedades queratolíticas (esfoliantes) e antimicrobianas, o que significa que afina a camada espessada da pele e age evitando a contaminação por bactérias e fungos oportunistas. É um ácido utilizado no tratamento de pele hiperqueratótica, isto é, super espessada, em condições de descamação como: caspa, dermatite seborréia, ictiose, psoríase e acne.
A grande vantagem deste ácido é que apresenta um bom poder esfoliativo e também uma ação hidratante, cuja característica principal é a capacidade de penetração nos poros ajudando na remoção da camada queratinizada com uma ação irritante muito menor que os outros ingredientes.
O ácido salicílico é permitido em concentração de até 0,5% sendo que não pode ser utilizado em formulação para crianças de menos de 3 anos,
Na sua forma ácida é ligeiramente solúvel em água (1 grama em 460 ml), mas é solúvel em etanol.
Tais como os outros ácidos é somente ativo na forma de ácido, não como sal. Sua maior atividade é antifungico. Não é um forte agente anti¬microbiano. Deve ser usado exclusivamente em produtos cujo pH é igual ou inferior a 4. É incompatível com sais de ferro. É pouco solúvel em água, mas apresenta solubilidade em óleos e gorduras.
Alcool Etílico
Também conhecido como etanol. Como ingrediente cosmético, o álcool é universalmente aceito.É completamente miscível com água.
A sua atividade como conservante depende da concentração. Como desinfetante (ou anti-séptico), acima de 60%, mata tudo em menos de 1 minuto. Quando a concentração cai abaixo de aproximadamente 15%, o álcool torna-se um meio de crescimento bacteriano.
É usado como solvente em muitas aplicações cosméticas. Para concen¬trações superiores a 15% os produtos podem ser considerados como sendo auto-protegidos.

Existem outros conservantes ou preservantes à disposição da indústria cosmética
Embora existam algumas críticas ao uso de conservantes em cosméticos, alguns deles estão inclusos em uma lista aprovada por autoridades competentes, tendo sido testados repetidamente para assegurar sua segurança em aplicações cosméticas.
Os parabenos, por exemplo, não são perigosos e são autorizados para uso na indústria cosmética. Até o momento, são os conservantes que oferecem maior efetividade a mais baixas doses.
Atualmente, quatro conservantes são proibidos ou tem seu uso severamente restrito pelo FDA. O hexaclorofeno é um deles.
As combinações de mercúrio também são proibidas ou restritas, porque são prontamente absorvidas pela pele em aplicações tópicas e têm a tendência de acumular no corpo. Podem causar reações alérgicas, irritação da pele ou manifes¬tações neurotóxicas.
O bitionol também é proibido, devido à sensibilização de foto-contato.
No Brasil, 60 conservantes são aprovados para uso, sendo que as proibições e restrições estão a cargo do Ministério da Saúde.


Conservantes naturais
Existem várias substâncias ou extratos naturais que atuam como conservantes, o problema é que sua faixa de atuação em relação a bactérias e fungos é geralmente muito restrita.
Apenas para efeito ilustrativo podemos citar o alho, ou óleo de alho; o alecrim com sua óleo resina, o tea tree ou melaleuca, entre outros que existem por aí.
Não temos literatura ou indicação de uso com concentração disponível para estes produtos, nem um produto de mercado que utilize estes componentes como conservantes.
Como existe uma tendência de mercado em direção a produtos cada vez mais naturais e de fontes sustentáveis, é bem provável que brevemente tenhamos boas novidades neste setor.

 

Veja mais alguns tipos de Conservantes em: Conservantes Como e Quando Usar

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